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sábado, 7 de novembro de 2009

Linha de Passe


Sinopse:

No coração de uma das maiores metrópoles do mundo, quatro irmãos tentam reinventar suas vidas. Reginaldo, o mais novo, procura obstinadamente seu pai, que nunca conheceu. Dario, sonha com uma carreira como jogador de futebol profissional. Dinho, frentista em um posto de gasolina, busca na religião o refúgio para um passado obscuro. Dênis, o mais velho, é pai e ganha a vida como motoboy. No centro desta família está Cleuza, 42 anos, grávida do quinto filho. Ela trabalha duro como empregada doméstica enquanto luta para manter os filhos na linha. Para sobreviver à brutalidade de uma cidade onde as oportunidades se afunilam, eles só podem contar um com o outro..

Ficha Técnica:
Título Original: Linha De Passe
Gênero: Drama
Duração: 113 min
Ano de Lançamento (Brasil): 2008
Lançamento Comercial (estréia) 05/10/2008
Distribuição: Universal Pictures., Diaphana, Rai
Direção: Walter Salles e Daniela Thomas
Roteiro: George Moura, Daniela Thomas, Bráulio Mantovani
Produção: Mauricio Andrade Ramos e Rebecca Yeldham
Produção executiva: François Ivernel
Direção de produção: Marcelo Torres
Co-produção: Video Filmes
Música: Gustavo Santaolalla
Som: Frank Gaeta
Som direto: Leandro Lima
Fotografia: Mauro Pinheiro Jr.
Still: Mauro Pinheiro Jr.
Direção de arte: Valdy Lopes Jn
Figurino: Cássio Brasil
Edição: Gustavo Giani e Lívia Serpa
Preparação de elenco: Fátima Toledo

Elenco:
Sandra Corveloni ...... Cleuza
Vinícius De Oliveira ...... Dario
João Baldasserini ...... Dênis
José Geraldo Rodrigues ...... Dinho
Kaique De Jesus Santos ...... Reginaldo
Roberto Audi ...... Pastor
Denise Weinberg ...... Estela
Ana Luíza Garritano ...... Bianca
Sergio Mastropasqua ...... Jefferson
Renata Novaes ...... Glória
Fernando Bezerra ...... Arlindo
Mario Cesar Camargo ...... Genaro
Gabriela Rabelo ...... Dona Rosa
Rafael Losso ...... Bruno
Almir Barros ...... Japa
Luiz Serra ...... Treinador Tiradentes
Zeca Auricchio ...... Treinador Santo Amaro
Norival Rizzo ...... Primeiro Treinador
Murilo Grossi ...... ExecutIvo Sequestrado
Luisa Micheletti ...... Fernanda
Mateus Solano ...... Marcelo
Beatriz Seigner...... Paula
Aldo Bueno ...... Motorista ônibus 1
Rubens Ferreira ...... Mecânico moto
Ana Alves ...... Almerinda
Douglas Rosa ...... Motoboy assalto posto
Marianna Armellini ...... Amiga de Cleuza
Mauro Persil ...... Motorista ônibus 2
Maicon Soares ...... Colega de Reginaldo
Acauã Sol ...... Mano 1
Marcio Pial ...... Mano 2
Welington Dias Dos Santos ...... Mano 3
José Trassi ...... Motoboy acidente
Bryan Ruffo ...... Raul
Mauricio De Barros ...... Toco
Celso Silva Dos Santos ...... Assistente Tiradentes
Fernando Barros ...... Assistente Santo Amaro
Eder Luis ...... Locutor Futebol


Premiações:
• Festival Internacional de Cinema de Cannes, França 2008.
Melhor atriz - para Sandra Corveloni

Curiosidades:
• As filmagens se realizaram entre agosto e setembro de 2007. Dois aspectos representaram desafios particulares para os atores e diretores: os jogos de futebol e as seqüências em que Dênis atravessa a cidade de motocicleta.

• Vinícius de Oliveira, flamenguista apaixonado e 'peladeiro' desde criança, iniciou sua preparação quatro anos antes das filmagens, matriculando-se em na escolinha de futebol do Zico, no Rio de Janeiro. Depois, contou com a ajuda de Samuel Leon, assistente de direção chileno que trabalhou com Walter Salles em Diários da motocicleta e, já nessa ocasião, revelou-se um grande conhecedor do futebol brasileiro. João Baldasserini tirou carteira para dirigir motocicleta e também contou com a ajuda de um instrutor (e ex-motoboy) para dirigir com desenvoltura pelo complicado trânsito paulista.
• As cinco partidas de futebol de que Dario participa foram cuidadosamente desenvolvidas por Daniela Thomas e ganharam uma dramaturgia interna - mas os jogadores que contracenam com Vinícius foram orientados a agir normalmente, e não para a câmera. O jogo de futebol que abre o filme foi filmado em uma partida real entre Corinthians (time de Cleuza) e o São Paulo, que se realizou no estádio do Morumbi, em novembro do ano passado. Foi uma partida especialmente importante, pois o Corinthians sofria com a possibilidade de rebaixamento e conseguiu vencer do São Paulo por um a zero.

• As seqüências de Dênis dirigindo pela cidade foram quase todas filmadas em meio ao trânsito de fato, graças à ajuda do maquinista português José Gomes, que trabalha com Walter Salles desde Central do Brasil.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Lula – O Filho do Brasil - 2010

Sinopse:

Cinebiografia do presidente Lula, desde seu nascimento até se tornar líder sindical.


Ficha Técnica:
Título Original: Lula – O Filho do Brasil
País de Origem: Brasil
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2009
Lançamento Comercial (Estréia): 01/01/2010
Estúdio/Distrib.: Europa Filmes
Direção: Fábio Barreto
Roteiro: Denise Paraná , Fábio Barreto ,Daniel Tendler ,Fernando Bonassi
Produção: Luiz Carlos Barreto e Paula Barreto,

Elenco:
Rui Ricardo Diaz ...... Lula (adulto)
Guilherme Tortólio ...... Lula (adolescente)
Glória Pires ...... Dona Lindu
Lucélia Santos ...... Professora de Lula
Cléo Pires ...... Lourdes
Juliana Baroni ...... Marisa Letícia Lula da Silva
Milhem Cortaz ...... Pai de Lula
Clayton Mariano
Suzana Costa ...... parteira
Jones Melo ...... vendedor
José Ramos ...... motorista de pau-de-arara


















Prêmios:

...

Curiosidades:
• Baseado no livro homônimo escrito pela jornalista Denise Paraná,

• O ator escolhido, Tay Lopes, pouco antes das filmagens teve que abandonar o projeto por problemas de saúde.

• Em todo o processo, tanto da criação do roteiro quanto durante as filmagens, Barreto contou com a colaboração de integrantes da família Silva, principalmente os irmãos de Lula (que apareceram como figurantes na cena em que é comemorada a soltura de Frei Chico com um churrasco)

• Para o seu próximo filme Fabio Barreto pretende filmar a vida de Cora Coralina.

Luzia Homem

Sinopse:

Após presenciar o assassinato de seus pais, Luzia (Cláudia Ohana) é criada por um vaqueiro e adota os costumes masculinos do sertão. Quando se torna uma mulher procura o assassino de seus pais, para poder se vingar, mas acaba encontrando o amor.

Ficha Técnica:
Título Original: Luzia Homem
Gênero: Drama
Duração: 104 min.
Lançamento no Brasil: 1987
Lançamento Comercial : 19/01/1988
Estúdio: Embrafilme / Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas Ltda. / Lorentzen Empreendimentos S/A
Distribuição: Embrafilme
Direção: Fábio Barreto
Roteiro: Bruno Barreto, Fábio Barreto, Cacá Diegues,
Produção: Luiz Carlos Barreto
Música: Ednardo
Fotografia: José Tadeu Ribeiro
Desenho de Produção: Pedro Nanni
Figurino: Flávia Castro
Edição: Raimundo Higino

Elenco:
Cláudia Ohana ........ Luzia
José de Abreu ........ Raulino
Thales Pan Chacon ........ Alexandre
Luiza Falcão ........ Tereza
João Leite ........ Pai de Luzia
Ivonete ........ Mãe de Luzia
Luiz Cruz de Vasconcelos ........ Juiz
Ary Sherlock ........ Silvestre
Djalma Veríssimo ........ Janjão
Antônio Freire .... Delegado
Jefferson de Albuquerque Jr. ....... Prefeito
Ruy Polanah
Ednardo





Participação Especial
Chico Diaz

sábado, 3 de outubro de 2009

O Leão de Sete Cabeças - 1971



Sinopse:

É uma história geral do colonialismo euro-americano na África, uma epopéia africana, preocupada em pensar do ponto de vista do homem do Terceiro Mundo, por oposição aos filmes comerciais que tratam de safaris, ao tipo de concepção dos brancos em relação àquele continente. É uma teoria sobre a possibilidade de um cinema político. Escolhi a África porque me parece um continente com problemas semelhantes aos do Brasil." - Glauber Rocha.

Ficha Técnica:
Direção: Glauber Rocha
Roteiro: Glauber Rocha, Gianni Amico
Gênero: Drama
Origem: Congo
Duração: 103 minutos
Tipo: Longa-metragem


Elenco:

Baiack ........ Zumbi
Aldo Bixio ........ Mercenário
Giulio Brogi ........ Pablo
Hugo Carvana ........ Português
Segolo Dia Manungu
Reinhard Kolldehoff ........ Governador
Pascal N'Zonzi
Rosa Maria Penna
Rada Rassimov ........ Marlene
Andre Segolo ........ Xobu
Gabriele Tinti ........ Agente americano

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Limite - 1931



Sinopse:

A ação de Limite se passa num barco. Nele, perdidos no mar, estão um homem e duas mulheres, que abatidos deixam de remar e parecem conformados com seu destino. Cada um conta, através de flashbacks, sua história, misturando tristeza, angústia, desespero, opressão, monotonia e fuga.
Limite foi exibido pela primeira vez no dia 17 de maio de 1931 no Cinema Capitólio, na Cinelândia, Rio de Janeiro, em sessão promovida pelo Chaplin Club (1928-1931), primeiro cineclube do país. Em 1959, teve início o trabalho de restauração do filme, que é, em 1978, relançado. Mário Peixoto é autor dos livros Mundéu, Poemas de Permeio com o Mar, O Inútil de Cada Um e do roteiro A Alma Segundo Salustre. No início dos anos 30, deixa inacabado o filme Onde a Terra Acaba. Sobre Mário Peixoto e sua única obra foram feitos dois filmes: O Homem e o Limite (1975), de Ruy Santos, e O Homem do Morcego (1980), de Ruy Solberg, um livro: Limite, Roteiro Fotográfico do Filme, de Saulo Pereira de Melo, bem como um CD-ROM intitulado Estudos sobre Limite de Mario Peixoto (1998).

Informações Técnicas:
Título Original: Limite
Gênero: Drama
Duração: 120min
Lançamento (Brasil): 1931
Direção: Mário Peixoto
Assistente de direção: Ruy Costa e Brutus Pedreira
Roteiro: Mário Peixoto
Produção: Mário Peixoto
Música : Brutus Pedreira
Fotografia: Edgar Brasil
Camera: Ruy Santos
Edição: Mário Peixoto

Elenco:
Olga Breno (Mulher n.1)
Taciana Rey (Mulher n.2)
Carmen Santos (Prostituta do cais)
Raul Schnoor (Homem n.1)
Brutus Pedreira (Homem n.2)
Mário Peixoto (Homem do cemitério)
Edgar Brazil (Espectador adormecido)

Prêmios e indicações::
  • Limite recebeu o prêmio de Melhor Filme do ano, Revista Cinearte, RJ, 1931.

Historias sobre o filme:

Limite pode ser visto no limite histórico entre o cinema mudo e falado, um filme com uma certa ambição de resumir muitas das possibilidades estéticas e técnicas desenvolvidas nos anos 10 e 20. Partindo de um ponto de vista retrospectivo, pode-se, entre outros, ressaltar a repetição de tomadas ou os close-ups de detalhes como em Man Ray, a mesma partitura de música de Satie em Limite como em Les Mystères du Château des Dés (1928), de Man Ray, a estruturação rítmica como, por exemplo, em O Homem com a Câmera (1929), de Vertov, ou Sinfonia de Berlim (1927), apesar de uma qualidade e velocidade diferentes, bem como o uso restrito de intertítulos como em A Última Gargalhada (1924), de Murnau.

As cenas do barco em Limite podem evocar paralelos com Aurora (1927), o primeiro filme americano de Murnau, e também as cenas de gritos revelam algumas similaridades. Os campos e plantas em movimento podem evocar reminiscências a Terra (1930), de Alexander Dovzhenko, e, obviamente, pode-se mencionar uma enorme variação de movimentos e ângulos da câmera como uma exploração do próprio medium filme.

Limite pode, portanto, ser visto como um esforço para explorar as possibilidades visuais, as técnicas experimentais e as variações rítmicas do medium fílmico no contexto de uma afirmação às vezes melancólica, outras um tanto agressiva sobre a limitação e a futilidade da existência humana.

E, finalmente, temos que mencionar as limitações técnicas de um filme realizado sem a estrutura de um backup profissional, um empreendimento solitário, financiado pelo próprio Mário.

Foi sobretudo a competência brilhante do cameraman Edgar Brazil que possibilitou o diretor de realizar aquilo que pretendia. Edgar Brazil, a propósito, nasceu em Hamburgo/Alemanha como Edgar Hausschild e, no Brasil, teve importância similar à que teve, por exemplo, Karl Freund na Alemanha.

Edgar também trabalhou com Humberto Mauro e Adhemar Gonzaga, dois outros diretores importantes daquele tempo, e construiu o equipamento especial que Peixoto havia pedido para os seus movimentos elaborados de câmera.


Filmagem de Limite

Quando Mário voltou da Europa em outubro de 1929, ele ofereceu seu scenario aos diretores Gonzaga e Mauro. Ambos recusaram. Aconselharam-no que ele mesmo fizesse o filme e contratasse Edgar Brazil, que teria a experiência necessária para garantir a realização do projeto.

A filmagem começou na metade de 1930, usando, pela primeira vez no Brasil, material pancromático com alta sensibilidade para escalas de cinza. Stills de Limite foram logo distribuídas e freqüentemente apresentadas como fotos de um novo filme de Pudovkin para aumentar a expectativa do público.






A primeira exibição aconteceu em 17 de maio de 1931 no Cinema Capitólio no Rio de Janeiro, uma sessão organizada pelo Chaplin Club, que anunciou Limite como o primeiro filme brasileiro de "cinema puro".

A reações favoráveis dos críticos, que o viam como uma primeira produção brasileira de vanguarda, mas nunca entrou em circuitos comerciais. Ao longo dos anos, foi exibido apenas esporadicamente, como em 1942, quando uma sessão especial foi organizada para Orson Wells, que estava na América do Sul para a filmagem de seu filme inacabado It’s all true, e para Maria Falconetti, atriz principal de The Passion of Joan of Arc (1928), de Theodor Dreyer.

Devido a vários fatores, Limite, conhecido também como a “obra prima desconhecida” – uma expressão de Georges Sadoul que, em 1960, fez uma viagem mal sucedida para o Rio de Janeiro para assistir ao filme – e também o seu diretor se tornaram lendários. Logo após a primeira exibição no Rio, Limite foi mostrado em muitas ocasiões na Europa, em Paris, bem como no cinema Marble Arch em Londres, onde supostamente atraiu o interesse de Sergei Eisenstein, seguido por um artigo escrito por ele, intitulado Um Filme da América do Sul. Diz-se que este foi publicado em 1931 no The Tatler Magazin. Esse artigo é freqüentemente citado como prova para o reconhecimento e reputação internacional de Limite, como no programa da Berliner Filmfestspiele em 1981 ou recentemente em 2004, quando Onde a terra acaba, o documentário sobre Mário Peixoto, foi apresentado em diversos cinemas europeus.

Nos anos 40 e 50, o próprio Mário mencionou com freqüência o texto de Eisenstein, mas nunca apresentou o artigo propriamente dito. Quando tentava financiamento para um de seus projetos – um filme chamado A alma segundo Salustre, em 1964 – Plinio Süssekind, um amigo, lhe disse que o artigo seria muito útil para levantar fundos. Duas semanas depois, Mário apresentou um texto escrito à mão em português, que então foi publicado em 1965 por Carlos Diegues na sua coluna de cinema da revista brasileira Arquitetura, vol. 38. O próprio Mário disse primeiro que ele tinha traduzido o texto de uma versão francesa do artigo original em inglês e mais tarde afirmou que Edgar Brazil o havia traduzido do alemão para o português. Porém, de acordo com Saulo Pereira de Mello, finalmente admitiu que ele mesmo o havia escrito. O artigo foi então republicado por Mello (2000) como um texto do próprio Mário Peixoto.

Um segundo item a ser mencionado é a história de Limite como obra-prima desconhecida. Em 1959, o filme de nitrato começou a se deteriorar, e Plinio Süssekind e Saulo Pereira de Mello iniciaram um longo trabalho de restauração. Sem experiência técnica prévia, usaram procedimentos adquiridos em livros especializados.

Limite apenas retornou aos festivais e exibições em 1978. Apesar do fato de que ninguém pôde ver o filme entre 1959 e 1978 – como no caso de Georges Sadoule e sua mal sucedida viagem ao Rio de Janeiro em 1960 – Limite ainda serviu como referência para discussões e declarações controversas, enquanto outros até duvidavam de que o filme realmente existia.

Glauber Rocha, figura principal do cinema novo, classificou, em 1963, o diretor como “longe da realidade e da historia” (59) e seu filme (sem tê-lo visto) como “incapaz de compreender as contradições da sociedade burguesa” (66), uma “contradição historicamente ultrapassada” (67) e confirmou o seu julgamento de Limite como uma produção da burguesia intelectual decadente de novo em 1978, após finalmente tê-lo visto.

Para uma aproximação teórica ao Limite, conceitos como fluidez e continuidade podem servir como termos referenciais, não tanto em relação ao seu conceito estrutural, baseado sobretudo na variação e não na continuação (ou talvez na variação continua) como princípio fílmico principal, mas em relação à ambição filosófica implícita: a oscilação entre a corrente de memória fluida e objetos e episódios sólidos e concretos que emergem como pontos fixos na continuidade do tempo. Esse propósito é um tanto claramente formulado no artigo de Peixoto Um Filme da América do Sul – formalmente atribuído a Eisenstein – o qual eu entendo como uma de suas poucas declarações teóricas. Aqui, Peixoto enfatiza primeiro o papel do “cérebro-câmera” e da estrutura “instintivamente ritmo” de Limite e então define o filme como em algum lugar entre uma obra de arte “singular”, notável e um objeto “anônimo em inexpressivas multidões” (apud Mello 2000: 85). Para Peixoto, a experiência oferecida por Limite não pode ser adequadamente capturada pela linguagem, mas foi feita para ser sentida. Portanto, o expectador deve se subjugar às imagens como “angustiantes acordes de uma sintética e pura linguagem de cinema” (88). De acordo com o diretor, o seu filme é de “rara precisão e engenho”, onde longas tomadas são cercadas e interligadas por tomadas curtas como num “sistema planetário” (88). Peixoto caracteriza Limite como um “grito” almejando ressonância ao invés de compreensão. “O filme não ousa (ou não quer) analisar. Ele mostra [...]. Ele se afirma como um diapasão” (88), capturando o fluxo entre passado e presente, detalhes de objetos e contingências como se sempre tivesse “existido nos seres e nas coisas, ou destes se desprendendo tacitamente”.
isto que Limite é mais um estado do que uma análise, personagens e linhas narrativas emergem, seguidas de uma câmera sondadora, explorando ângulos, detalhes, possibilidades de acesso e fixação, apenas para então se desfazer novamente no desconhecido, uma corrente visual com certas densidades e ilustrações dentro do fluxo contínuo de tempo. De acordo com Peixoto, todas essas transposições poéticas encontram desespero e impossibilidades, uma “dor luminosa” (92), desdobrando-se ritmicamente. Essa oscilação entre o fluido e o sólido, o notável e o não-identificável, o objeto concreto e a abstração é um princípio básico não somente para o seu filme, mas também para a sua obra literária.

Se seguirmos esses contornos, podemos ver Limite como um filme de concepção clara e elaborada, talvez difícil de identificar à primeira vista, mas emergindo mais completo e ricamente a cada exibição a que se assiste. Talvez esteja aqui a razão para o desgosto de Peixoto com os filmes surrealistas e a rejeição do acaso como principio artístico, como encontramos em Man Ray ou no Dadaísmo.

Limite inicia com a imagem de uma mulher abraçada por um homem algemado, uma imagem prototípica a ser variada e diversificada ao longo do filme.


A proto-imagem no começo, baseada na fotografia que ele viu em Paris em 1929, introduzindo o leitmotiv do aprisionamento, abre caminho para uma longa e quase hipnótica cena de barco, que serve para nos transportar ao continuum do tempo, um estado amorfo fluido, onde o cérebro-câmera se move para o passado, traçando certas linhas de memória, episódios e detalhes associados, objetos, movimentos e imagens, flashes visuais de limitação que se refletem em outras imagens e, assim, saem de um estado fixo, limitado e que desaparecem posteriormente sem motivo aparente. O naufrágio na tempestade nos leva de volta à proto-imagem original, o tema inicial, agora estendido e enriquecido pelas variações visuais e rítmicas que nós experimentamos.


Gostaria de concluir esta resumida introdução com um comentário a respeito da trilha sonora de Limite: o plano original de acompanhar as imagens com sons naturais como vento, o sussurro de folhas e a quebra das ondas foi abandonado devido a dificuldades técnicas e substituído por uma trilha em discos, escolhida cuidadosamente por Brutus Pedreira, o ator que faz o papel de um pianista no filme e era de fato músico. Os temas selecionados – entre outros, de Satie, Debussy, Borodin, Stravinsky, Prokofiev e César Franck – foram então, nos screenings de Limite, sintonizados através de dois toca-discos, freqüentemente operados pelos próprios Mário e Brutus.

Devido a este procedimento, o filme foi mostrado várias vezes sem o acompanhamento musical e apenas com a edição em vídeo, imagens e som foram integrados de forma definitiva. Frente à conhecida obsessão do diretor com todos os detalhes relativos ao filme – arrumando até as plantas para curvar em um ângulo específico – pode-se compreender a relação entre imagem e som como uma concepção elaborada, freqüentemente contrapondo os dois numa discrepância rítmica intencional, onde som e imagem divergem para abrir uma outra dimensão temporal e de ressonância entre a cena atual e um espaço mais amplo e contingente além das limitações impostas pela visão “enquadrada” e da seqüencialidade do próprio medium fílmico.


Referências bibliográficas:
• Farias, Otavio. Eu creio na imagem. In: O fan, vol. 6. Rio de Janeiro, 1929.

• Mello, Saulo Pereira de. Mário Peixoto - Escritos sobre cinema. Rio de Janeiro: aeroplano, 2000.

• Peixoto, Mário. Limite. "scenario" original. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996.

• Rocha, Glauber. Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. São Paulo: Cosac & Naify, 2000.

domingo, 27 de setembro de 2009

Lisbela e o Prisioneiro - 2003



Informações Técnicas:

Título Original: Lisbela e o Prisioneiro
País de Origem: Brasil
Gênero: Comédia / Romance
Tempo de Duração: 110 minutos
Ano de Lançamento: 2003
Estúdio/Distrib.:
Direção: Guel Arraes

Elenco:
Débora Falabella ............. Lisbela de Nogueira e Lima
Selton Mello.............Leléu Antônio da Anunciação
Virginia Cavendish ............. Inaura
Bruno Garcia .............Douglas
Marco Nanini ............. Frederico Evandro
André Mattos.............Tenente Guedes de Nogueira e Lima
Tadeu Mello ............. Cabo Citonho
Lívia Falcão .............Francisquinha
Paula Lavigne ............. Sumara / Monga, a Mulher Gorila
Heloísa Périssé .............Prazeres
Aramis Trindade .............Juiz
Carlos Casagrande ............. Steve
Michelle Birkheuer.............Marion

Sinopse:
Lisbela (Débora Falabella) é uma moça que adora ir ao cinema e vive sonhando com os galãs de Hollywood dos filmes que assiste. Leléu (Selton Mello) é um malandro conquistador, que em meio a uma de suas muitas aventuras chega à cidade de Lisbela. Após se conhecerem eles logo se apaixonam, mas há um problema: Lisbela está noiva. Em meio às dúvidas e aos problemas familiares que a nova paixão desperta, há ainda a presença de um matador (Marco Nanini) que está atrás de Leléu, devido a ele ter se envolvido com sua esposa (Virginia Cavendish).


Prêmios e indicações:

• Recebeu dois prêmios no Grande Prêmio Cinema Brasil:
 melhor ator (Selton Mello) e melhor trilha sonora (André Moraes).

• Teve ainda dez indicações de melhor filme, melhor diretor, melhor ator coadjuvante (Bruno Garcia e Tadeu Mello), melhor atriz coadjuvante (Virginia Cavendish), melhor roteiro adaptado, melhor figurino, melhor maquiagem, melhor montagem e melhor som.


Curiosidades:
 •Lisbela e o prisioneiro foi o primeiro longa-metragem do diretor Guel Arraes feito especificamente para o cinema. Seus filmes anteriores, O Auto da Compadecida e Caramuru - A Invenção do Brasil, eram adaptações de minisséries exibidas pela Rede Globo.

• Uma lata com negativos originais do filme foi perdida no laboratório Mega Color, forçando que o diretor Guel Arraes rodasse novamente as cenas que ali estavam.

• Foi o sétimo filme mais visto em 2003 no Brasil, tendo levado 3.146.461 pessoas aos cinemas.



Lamarca


Sinopse:

Crônica dos últimos anos na vida do capitão do exército Carlos Lamarca (Paulo Betti) que, nos anos da ditadura, desertou das forças armadas, e passou a fazer oposição, tornando-se um dos mais destacados líderes da luta armada.

Informações Técnicas:
Título Original: Lamarca
País de Origem: Brasil
Gênero: Drama
Classificação etária: 14 anos
Tempo de Duração: 129 minutos
Ano de Lançamento: 1994
Estúdio/Distrib.: Paramount
Direção: Sérgio Rezende

Elenco:
Paulo Betti .... Carlos Lamarca
Camilo Beviláqua
Roberto Bomtempo .... Fio
Carla Camurati .... Clara
Anna Cotrim
Nelson Dantas .... Lamarca's father
José de Abreu .... Major
Eliezer De Almeida .... Zequinha
Jurandir de Oliveira .... Professor Santa Cruz
Enrique Díaz .... Van driver
Marcelo Escorel
Deborah Evelyn .... Marina
Luiz Maçãs
Selton Mello
Ernani Moraes .... Police chief Flores
Patrícia Perrone
Orlando Vieira
Nelson Xavier
Carlos Zara .... Military




Prêmios e indicações:
Troféu APCA 1995 (Associação Paulista de Críticos de Arte, Brasil)
• Venceu na categoria de melhor ator (Paulo Betti).

Margarida de Prata 1994 (Brasil)
• O filme recebeu Menção Honrosa.

Curiosidades:
• Sem citar os nomes verdadeiros, o roteiro alude as personalidades da época da repressão militar pela sonoridade dos nomes; assim, o delegado Sérgio Paranhos Fleury se transformou em "Flores", e Iara Iavelberg, em "Clara".

Lavoura Arcaica - 2001




Informações Técnicas:

Título Original: Lavoura Arcaica
Gênero: Drama
Duração: 163 min.
Lançamento (Brasil): 2001
Estúdio: VideoFilmes
Distribuição: Riofilme
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Roteiro: Luiz Fernando Carvalho
Produção: Luiz Fernando Carvalho
Música: Marco Antônio Guimarães
Fotografia: Walter Carvalho
Direção de arte: Yurika Yamasaki
Figurino: Beth Filipecki

Elenco:

Selton Mello ........ André
Raul Cortez ........ pai
Juliana Carneiro da Cunha ........ mãe
Simone Spoladore ........ Ana, a irmã mais nova
Leonardo Medeiros ........ Pedro, o primogênito
Caio Blat ........ Lula, o caçula
Denise Del Vecchio ........ prostituta
Samir Muci Alcici Júnior
Leda Samara Antunes
Pablo César Câncio ........ André criança
Luiz Fernando Carvalho ........ André narrador (voz)
Raphaela Borges David


Sinopse:
Lavoura Arcaica é uma versão ao avesso da parábola do filho pródigo. André é o filho desgarrado. Pedro, seu irmão mais velho, recebeu da Mãe a missão de trazê-lo de volta ao lar. Entregue a uma enorme solidão, no pequeno quarto de uma pensão interiorana, Pedro encontra o irmão. Através das lembranças de André, conhecemos os motivos de sua fuga. Cedendo aos apelos da mãe, André retorna à casa, onde a família já preparava a festa da sua chegada. "Lavoura Arcaica", drama lírico e trágico da eterna luta entre a tradição e a liberdade.

Prêmios e indicações:

Grande Prêmio BR de Cinema (2002)
• "Melhor Atriz" (Juliana Carneiro da Cunha) e "Melhor Fotografia".

Festival de Montréal (2001)
• Prêmio de "Melhor Contribuição Artística".

Festival de Brasília (2001)
• "Melhor Filme", "Melhor Ator" (Selton Mello), "Melhor Atriz Coadjuvante" (Juliana Carneiro da Cunha) e "Melhor Ator Coadjuvante" (Leonardo Medeiros).

Mostra de Cinema de São Paulo (2001)
• Prêmio do Público.

Festival de Cartagena
• "Melhor Filme", "Melhor Diretor", "Melhor Fotografia" e "Melhor Trilha Sonora".

• Festival de Havana (2001): "Prêmio Especial do Júri", "Melhor Ator" (Selton Mello), "Melhor Fotografia" e "Melhor Trilha Sonora".

ABC Trophy (2002)
• "Melhor Fotografia de Longa Metragem".

Festival de Buenos Aires do Cinema Independente (2002):
• Prêmio ADF de Fotografia, Prêmio do Público, Prêmio Kodak e Menção Especial para Luiz Fernando Carvalho.

Festival de Guadalajara (México - 2002)
• "Melhor Filme", pelo juri internacional.




Curiosidades:
• Lavoura arcaica foi o primeiro filme de Luiz Fernando Carvalho, que também realizou diversos trabalhos para a televisão, como as telenovelas Renascer (1993), O Rei do Gado (1996) e Esperança (2002) e as minisséries Os Maias (2001), Hoje é dia de Maria (2005), A Pedra do Reino (2007) e Capitu (2008).

• O filme foi realizado inteiramente em uma locação, em uma fazenda do interior de Minas Gerais. Nela, os atores e a equiptécnica passaram nove semanas, durante as quais aprenderam a trabalhar a terra, ordenhar, fazer pão, bordar e dançar como uma família de origem libanesa. O próprio autor do texto original, Raduan Nassar, esteve presente durante esta etapa.

• A atriz Simone Spoladore não tem nenhuma fala no filme, mas teve uma preparação mais longa que a dos demais atores, pois teve que aprender a dançar para as duas festas que aparecem no filme.

• O personagem "André" é vivido por Selton Mello, mas a sua voz enquanto narra em off suas memórias é do diretor Luiz Fernando Carvalho.